Cartas de Amor 19 – O Testemunho do Amor – 1 João 5.6-12
28/07/2016 - 17h36 em Pastoral - Cartas de Amor

Cartas de Amor 19

O Testemunho do Amor – 1 João 5.6-12

“Água e sangue” são dois elementos essenciais para a vida humana; não há como existir vida sem os dois. Porém, podemos aprender que, também, são elementos essenciais no ministério de Jesus. Logo, “água e sangue”, também, são elementos essenciais para a vida eterna: Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. Pois há três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito (1 João 5.6-8). Existe um testemunho de amor na mensagem acerca da água e do sangue. E o amor sempre buscar unir. Por isso, a Igreja jamais pode permitir que o testemunho central que nos une, seja considerado algo de menor importância. Precisamos nos esforçar em viver a unidade no essencial. A Igreja, às vezes, gasta mais tempo nas coisas que ela não pode ser e no que não pode fazer; do que nas coisas que ela tem que ser e naquilo que tem que fazer. A centralidade do nosso amor deve estar no fato que somos as testemunhas do Senhor Jesus. Quanto mais nos empenharmos nos propósitos de Deus para a Igreja, menos tempo teremos para nos iludir com coisas que nos contaminam para a desobediência a Deus, tanto no nosso caráter quanto na nossa prática de vida.

Existem várias interpretações acerca “da água e do sangue” neste trecho da Escritura, como foi explicado por John Stott: Primeiro, alguns comentadores (incluindo-se Lutero e Calvino) vêm neles uma referência aos dois sacramentos do Evangelho [batismo e santa ceia]... A segunda interpretação (adotada por Agostinho e outros comentadores antigos) liga a passagem ao golpe de lança e ao fluxo de água e sangue do lado de Jesus, registrados em João 19.34-35... A terceira e mais satisfatória interpretação, dada originalmente por Tertuliano, faz isso. Entende água como se referindo ao batismo de Jesus, em que Ele foi declarado o Filho e comissionado e capacitado para a Sua morte, e sangue como se referindo à Sua morte, em que a Sua obra foi consumada (1, 2 e 3 João – Introdução e Comentário). O contexto histórico vivido pelo Apóstolo João, também reforça esta interpretação: Este sentido da expressão harmoniza-se com o que Irineu desvendou do ensino herético dos gnósticos seguidores de Cerinto. Eles distinguiam entre “Jesus” e “o Cristo”. Sustentavam que Jesus era mero homem, nascido de José e Maria em núpcias naturais, sobre quem o Cristo desceu no batismo e de quem o Cristo saiu perante a cruz (John Stott: 1, 2 e 3 João – Introdução e Comentário). Portanto, temos uma clara afirmação que destrói os fundamentos heréticos: Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue (1 João 5.6). Jesus é totalmente homem e totalmente Deus. Ele, de fato, encarou a cruz e derramou o seu sangue que nos purifica de todo o pecado. Ele não abandonou ninguém na morte, pelo contrário, Ele é que foi desamparado e enfrentou sozinho a condenação em favor dos pecadores.

O Senhor Jesus é aquele que realmente se identifica com a humanidade. Quando Ele se voluntaria para receber o batismo de João Batista, de fato está se colocando como um de nós: O batismo de João é pronunciadamente um “batismo com água para o arrependimento” (Mateus 3.11). Vale para pessoas que se descobriram como pecadores perdidos diante do santo Deus. Agora o único verdadeiramente puro, o Filho de Deus, se coloca no meio desses culpados, descendo à água e deixando-se batizar como eles! Dessa maneira declara-se inconfundivelmente solidário com os pecadores, e dessa forma obteve o beneplácito do santo Deus. Aqui o Filho manifestou que havia entendido seu envio e estava à disposição da vontade salvadora de Deus, em total obediência. Por isso o Pai expressou neste momento todo o seu agrado com ele (Comentário Esperança do Novo Testamento). Se o batismo de João era um sinal de purificação para pecadores arrependidos, não havia lógica alguma o Senhor Jesus ter sido batizado. Porém, o justo, puro e santo Filho de Deus se coloca na posição dos pecadores, de fato, Ele é um de nós. E assim, recebe o batismo e com seu sangue inocente derramado na cruz do calvário, nos liberta e purifica de todo pecado. A água de seu batismo nos une ao seu sangue na cruz. Então, podemos entender que temos o pecador que necessita da purificação dos pecados (Jesus sendo batizado com água) e aquele que purifica de todo o pecado (Jesus sangrando na cruz). Este é o testemunho central de amor que nos une a Deus e uns com os outros.

O testemunho desta verdade jamais seria aceito pela humanidade de maneira natural. Por isso, o Espírito Santo é que nos convence desta realidade: E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade (1 João 5.6). O testemunho que Espírito Santo nos deu é que as duas coisas (a água e o sangue) estão em Cristo. E somente com a presença e o poder do Espírito Santo é que podemos acreditar nesta verdade e viver o seu propósito. Por isso, João afirma que o Espírito é a verdade. Ele nos prova que Jesus é o Deus encarnado, que como verdadeiro homem assume a posição da humanidade pecadora no batismo (água) e na crucificação (sangue). E como verdadeiro Deus nos garante a eternidade por meio de sua ressurreição.

            Este trecho das Escrituras apresenta um problema na tradução utilizada que é a Almeida Revista e Atualizada, como segue: Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra] (1 João 5.7-8). Quanto à parte em colchetes, não vamos levar em conta na nossa reflexão, pois este é considerado um acréscimo ao texto original: Nenhum manuscrito contém a adição trinitária antes do século catorze, e o versículo jamais foi citado nas controvérsias sobre a Trindade nos 450 primeiros anos da existência da igreja (Comentário Bíblico Moody).

            Então, vamos seguir com nossa reflexão: Pois há três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito (1 João 5.7-8). Embora os três deem testemunho, o principal é o Espírito Santo, pois Ele é ativo neste testemunho, enquanto a água e o sangue são instrumentos passivos para o testemunho do Espírito. E este testemunho do Espírito Santo foi confiado a nós, que devemos proclamar no poder do Espírito, como disse o Senhor Jesus: Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1.8). Testemunhas que tendo a presença e o poder do Espírito Santo devem se esforçar para viver num único propósito, assim como o Espírito, a água e o sangue. E embora este testemunho saia de lábios humanos, ele vem de Deus. Logo é como se o próprio Deus falasse diretamente. Está escrito que este testemunho é o maior que existe: Se admitimos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; ora, este é o testemunho de Deus, que ele dá acerca do seu Filho (1 João 5.9). Se acreditamos em testemunhas humanas, quanto mais devemos confiar na revelação que vem da parte de Deus. E isto é confirmado em nosso interior pelo Espírito Santo.

Amados, o testemunho do Espírito Santo é muito claro e objetivo: Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho (1 João 5.10). Às vezes a pessoa não é adepta de nenhuma religião e diz que tem o “seu jeito” de crer em Deus. Neste caso, sem perceber a pessoa faz de si mesmo um deus e diz que toda revelação bíblica é mentirosa. A pessoa não diz isso diretamente com os lábios, mas é o que de fato acontece. Como o Espírito Santo é Deus, e foi Ele quem inspirou os autores da Bíblia; logo, o indivíduo o considera um mentiroso, quando simplesmente não crê ser verdade o que Ele revelou. É uma argumentação muito lógica, porém dura para os ouvidos de quem não crê. Sendo que o mesmo argumento vale para quem acredita em outras divindades, que não são o único e verdadeiro Deus que se revelou em seu Filho Jesus Cristo.

Portanto, este é o testemunho central: E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida (1 João 5.11-12). São afirmações como estas que fazem os crentes serem chamados pejorativamente, no meio da sociedade, de “chatos” e “donos da verdade”. Afinal, a revelação Espírito não nos deixa “meio termo” e nem “duas opções”. Aqui podemos ver claramente de que Deus está falando a verdade e pronto. E que o único meio de se obter a vida eterna é por meio de Jesus Cristo. Tudo está muito claro, quem tem Cristo, em sua vida, tem a vida eterna; e quem não tem Cristo, não tem vida eterna. Simples e direto, apenas creia ou não. Porém, é melhor crer e viver. Obrigado Jesus!

Marcio Costa Daflon

 

Questões para compartilhar e aplicar em nossas vidas!

Texto base: 1 João 5.6-12

a) O que significa o testemunho do Espírito Santo de que Jesus veio em água e sangue? Comente sua resposta.

 

 

b) Algumas pessoas dizem que “todos os caminhos levam a Deus”, no bom sentido é claro. O que dizer a cerca desta sentença diante das afirmações do vv. 9-12.

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