1 - O Messias
06/03/2018 20:35 em Série: JESUS, O EU SOU

JESUS, O EU SOU

1 - O MESSIAS

A mulher respondeu: — Eu sei que virá o Messias, chamado Cristo. Quando ele vier, nos anunciará todas as coisas.  Então Jesus disse: — Eu sou o Messias, eu que estou falando com você (João 4.25-26).

O Evangelho de João é o que mais se ocupa com o lado Divino de Jesus. O Evangelho começa dizendo que Jesus é Verbo Divino, a Palavra da Vida, o próprio Deus encarnado (João 1.1). Seguindo nesta linha, é no Evangelho de João que estão diversas afirmações de Jesus mostrando que ele é o próprio Deus. Que são os conhecidos: “Eu Sou”. Pois foi desta forma que o SENHOR se revelou a Moisés: Moisés disse para Deus: — Eis que, quando eu for falar com os filhos de Israel e lhes disser: “O Deus dos seus pais me enviou a vocês”, eles vão perguntar: “Qual é o nome dele?” E então o que lhes direi?  Deus disse a Moisés: — Eu Sou o Que Sou. Disse mais: — Assim você dirá aos filhos de Israel: “Eu Sou me enviou a vocês” (Êxodo 3.13-14).

O ponto principal desta mensagem no capítulo 4 do Evangelho de João está na afirmação do Senhor Jesus de que Ele é o Messias. A palavra Messias vem do hebraico e é equivalente ao termo grego Cristo, que significa Ungido. Alguém que é consagrado e separado para uma missão especial. Os ungidos no Antigo Testamento eram os reis e os sacerdotes. Embora não fosse ungido cerimonialmente com óleo, também temos os profetas que eram designados pelo Senhor para uma missão especial. Desta forma, Jesus se revela como, de fato o Ungido do Senhor, superior a todos, porque se manifestou numa tríplice vocação: Profeta, Sacerdote e Rei. Ele é o Verdadeiro e Grande Messias.

É maravilhoso o fato de que num simples encontro comum num poço pedindo água para uma mulher, Jesus dá início a uma conversa transformadora que mudaria para sempre a vida dela e de muitos do povo dela, os samaritanos. Eles creram que Jesus é de fato o esperado Messias vindo de Deus. Resumidamente, vejamos alguns destaques essenciais na conversa de Jesus com a mulher samaritana, que contem coisas que são essenciais para todas as pessoas:

a)   Jesus respondeu: — Se você conhecesse o dom de Deus e quem é que está lhe pedindo água para beber, você pediria, e ele lhe daria água viva. (João 4.10) – Revela a mulher o quanto a humanidade é dependente dele para viver tanto agora como por toda a eternidade. A mulher no diálogo fica sem entender, possivelmente, achando que Jesus se referia a mananciais mais profundos e de águas mais puras (João 4.11-12). Então Jesus respondeu para ela: — Quem beber desta água voltará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede.  Pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna (João 4.13-14). Nisto tudo, além da dependência pra viver, acredito que esta água viva do Senhor Jesus, também se refere a uma satisfação eterna de prazer e realização, que mais nada nessa vida pode trazer. Nem mesmo as coisas que são boas e essenciais para nosso viver aqui vão nos satisfazer por completo, parece que na vida de muita gente há sempre aquela impressão de que tá bom, mas poderia ser melhor. Essa satisfação plena, somente Cristo pode conceder.

b)   Jesus disse: — Vá, chame o seu marido e volte aqui.  Ao que a mulher respondeu: — Não tenho marido. Então Jesus disse: — Você tem razão ao dizer que não tem marido.  Porque já teve cinco, e esse que agora tem não é seu marido. O que você disse é verdade (João 4.16-18) – Conduz a pessoa a reconhecer os seus próprios pecados. O encontro com Jesus nos conduz para a necessidade de arrependimento.

c)    Jesus respondeu: — Mulher, acredite no que digo: vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém vocês adorarão o Pai.  Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora — e já chegou — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Porque são esses que o Pai procura para seus adoradores.  Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (v.21-23) – Ensina sobre como ter um relacionamento verdadeiro com Deus numa adoração sincera. Em espírito, o nosso espírito em plena submissão ao Espírito Santo, numa conexão de total intimidade com o Pai; e em verdade, não num ato de bajulação religiosa, mas na sinceridade de um relacionamento de verdade. Tudo isto sem ser limitado a um lugar central de religiosidade, mas em todos os lugares. Não sendo reconhecidos por Deus devido nossos títulos ou nacionalidade, mas por uma relação de intimidade com o Pai em honestidade e simplicidade, uma verdadeira espiritualidade.

A afirmação seguinte de Jesus é o nosso ponto central desta reflexão. Mas primeiro vamos meditar na importância do Messias, a partir do que pensa uma simples pessoa. A samaritana diz: Eu sei que virá o Messias, chamado Cristo. Quando ele vier, nos anunciará todas as coisas (v.25).

1 – Eu sei que virá. Há uma grande expectativa em torno da vinda do grande Ungido do Senhor que traria uma grande esperança, não apenas para os judeus, mas também para os samaritanos que eram uma miscigenação de israelitas com outros povos, resultando num povo com sincretismo cultural e religioso, mas que ainda assim aguardava o Messias; mostrando que Jesus não era o salvador aguardado apenas pelos judeus. Alguns estudiosos acreditam que para os samaritanos, a expectativa do Messias era a de um profeta semelhante a Moisés; enquanto para os judeus seria do rei descendente de Davi. Na verdade, as duas expectativas juntas apontavam e, de fato, se cumpriram no Senhor Jesus Cristo. E até que entremos na vida eterna, a expectativa da volta do Messias é uma constante, pois precisamos continuar nesta maravilhosa esperança aguardando a manifestação final do Filho de Deus.

2 – Nos anunciará todas as coisas. Quer dizer, as respostas que o ser humano tanto necessita. Acredito que parte deste anunciar já estava nas afirmações de Jesus para ela: como o tipo de adoração que agrada o Pai; a necessidade de assumir nossa condição pecadora para que o arrependimento aconteça; assim como, reconhecer a nossa total dependência dEle para viver e se sentir completo por toda a eternidade. Mas vamos pensar, principalmente, numa palavra de Jesus para a samaritana que envolve conhecimento, pois o Messias vem anunciando a verdade e clareando as coisas diante dos nossos olhos que estavam em trevas: Se você conhecesse o dom de Deus e quem é que está lhe pedindo água para beber, você pediria, e ele lhe daria água viva (João 4.10). Muitos acusam o Cristão de que na sua busca de intimidade e compromisso com Jesus, lutando contra a ganancia, a vaidade e o egoísmo; se tornam pessoas pouco ambiciosas. Porém, se pensarmos bem, podemos ver (como certa vez aprendi ouvindo um pregador) que ninguém é tão ambicioso quanto o cristão. Pois, enquanto as pessoas lutam e se esforçam por 50 ou 100 anos de alegria, sucesso e prazer; por outro lado, os cristãos ao mesmo tempo em que se esforçam para ter uma boa vida aqui, eles almejam e creem que, no Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, estas coisas duram por toda a eternidade. Como uma vez também ouvi de que o problema dos que creem na teologia da prosperidade não é que pensam coisas grandes demais, na verdade pensam pequeno. Pois se contentam com as coisas que Deus pode dá, enquanto o que há de mais precioso no Pai é que Ele quer dar de si mesmo, da sua doce presença para nós. Porém, estranhamente, para o mundo e infelizmente para alguns irmãos nossos, se comprometer com Cristo, para eles, é um atraso de vida. Só se 100 anos lutando contra a morte fosse superior a uma vida de alegria sem fim, e é claro e evidente, sem a morte.

            Assim, a conversa de Jesus revela um grande esclarecimento de Deus para aquela mulher. E um fato interessante se repete. É que as duas vezes em que a palavra Messias aparece no Novo Testamento, às pessoas vão buscar alguém para levar até Jesus:

1)   André: André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido Jesus. Ele encontrou primeiro o seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias (“Messias” quer dizer Cristo). E o levou a Jesus. Jesus olhou para ele e disse: - Você é Simão, filho de João, mas agora será chamado Cefas. (“Cefas” quer dizer “Pedro”.) (João 1.40-42).

2)   A Mulher Samaritana: Quanto à mulher, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse ao povo: — Venham comigo e vejam um homem que me disse tudo o que eu já fiz. Não seria ele, por acaso, o Cristo?  Então saíram da cidade e foram até onde Jesus estava (João 4.28-30).

              Desta forma, tanto André quanto a mulher samaritana são exemplos de evangelistas que devemos imitar.

Esta história mostra que precisamos de um choque de realidade em perceber que Jesus nos ama tanto que não fica fazendo de conta que tá tudo bem quando na verdade nós o chateamos (João 4.27-33). Se acomodar com o passar do tempo é uma característica de muitos cristãos, mas que Jesus não chama de algo normal. Os discípulos foram à cidade e voltaram apenas com comida, enquanto a Samaritana voltou com pessoas para Jesus. E no meio dos discípulos estava André. Como parece que com o tempo as coisas mudaram, e o senso de urgência do Evangelho parece que vai diminuindo. O mesmo pode acontecer com cada um de nós, e Jesus nos confronta dizendo que isso não é normal. Isso é enfraquecer quanto ao conhecimento da grandeza do propósito, do poder e da presença do Messias (embora não estou dizendo que isto aconteceu com o apóstolo André). Conforme o tempo passa, nós nos conformamos dizendo que é normal se enfraquecer na paixão evangelística. Mas não podemos esquecer que isso é normal porque somos pecadores, mas não é o normal que Cristo quer pra nós. Porque, afinal não podemos ser guiados por nós mesmos, mas pelo Senhor Jesus Cristo. Então tem que ser do jeito dele. E o jeito dele é o melhor.

Outro detalhe importante nesta história é que não se fala mais da água do poço, pois os afazeres da mulher deixaram de ser o centro do seu dia. A mulher foi para cidade anunciar para outras pessoas que o Salvador estava entre eles, e deixou a água de lado. Porque o alimento terreno se torna de muito menor importância diante do alimento que veio do céu, que é o nosso Senhor Jesus. Jesus, neste contexto, falou que a adoração que o Pai espera é em espírito e em verdade. A adoração é um ato de agradar a Deus Nosso Salvador pela gratidão que temos a Ele; exaltando a Deus enquanto diminuímos a nós mesmos. E ela deve ser composta por atitudes que dão prazer ao Pai. Quando se dirige aos seus discípulos, o Senhor Jesus nos ensina, na prática, uma das coisas que consiste em adorar em espírito e em verdade. Jesus nos ensina isso ao nos falar sobre a sua comida que é fazer a vontade do Pai, trabalhando para Ele (João 4.34-38). E essa comida que agrada a Deus é levar vidas preciosas ao Pai. Por isso, é que Jesus se recusou a comer a comida que os discípulos trouxeram. Porque embora como um homem, precisasse se alimentar; Ele não estava satisfeito. Pois os seus discípulos não fizeram o que mais o agrada. Algo que foi muito bem feito pela mulher samaritana, ao trazer várias pessoas ao encontro de Jesus.

Nós testemunhamos para as pessoas, mas elas precisam de um testemunho de vida direto com o Cristo de Deus. E hoje dificilmente será de uma maneira com Jesus Cristo na sua forma humana. Mas espiritualmente temos a certeza da presença dele em nós. Por isso, talvez existam tantos cristãos espiritualmente fracos, pois estão vivendo com base no testemunho dos outros. E não porque eles mesmos, espiritualmente, estão buscando ouvir e perseverar em conhecer que Cristo é o Salvador do mundo. Portanto, o que aconteceu com os samaritanos é essencial: E diziam à mulher: — Agora não é mais por causa do que você falou que nós cremos, mas porque nós mesmos ouvimos, e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo (João 4.42).

            Todas estas pessoas entendiam que a vida não se resume apenas a cada dia que passamos, mas que existe um propósito maior, uma esperança divina: Quando ele vier, nos anunciará todas as coisas (João 4.25). O Messias é aquele que nos mostra uma direção na vida que faz sentido, que realmente nos completa. E quando vejo um cristão, hoje, achando que se dedicar a Cristo é empacar nos seus sonhos e planos de vida; vejo que há um retrocesso e que muitos não entenderam a importância do Messias, tal como André e a mulher samaritana entenderam; tanto que a primeira coisa que os dois fizeram foi levar pessoas para Jesus, o Messias. Porque em Jesus vemos claramente o cumprimento da profecia de Isaías, quanto ao Messias (o Ungido): O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor (Lucas 4.18-19).

Marcio Costa Daflon

 

1 – Reflita em João 4.25-26. Jesus disse: “Eu sou o Messias”. Qual o significado dessa afirmação e qual era a importância do Messias para os judeus e samaritanos, assim como para cada pessoa hoje?

 

2 – Leia João 1.40-42 e João 4.28-30 (Os dois textos do Novo Testamento que aparecem a palavra Messias). Por que tanto André, quanto a mulher samaritana foram chamar outras pessoas para ir até Jesus? O que aprendemos com as atitudes desses irmãos do passado?

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