O Jejum Bíblico: Mateus 6.16-18
27/11/2017 - 20h20 em Pastoral

O Jejum Bíblico: Mateus 6.16-18

 

— Quando vocês jejuarem, não fiquem com uma aparência triste, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa.  Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto, a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa (Mateus 6.16-18). O Jejum é um momento devocional do Cristão em quebrantamento de espírito e abstenção de alimentos, a fim de buscar a Deus de todo o coração, se aperfeiçoar em santidade e receber respostas do nosso Pai Eterno que são essenciais a nossa vida. E da mesma forma que a comida nos alimenta e nos dá prazer; enquanto jejuamos temos a convicção que o próprio Deus é o nosso maior alimento que nos sustenta por toda a eternidade, como disse o Senhor Jesus: O ser humano não viverá só de pão, mas do toda palavra que procede da boca de Deus. E que acima de tudo o nosso maior prazer está no SENHOR nosso Deus e Pai.

                Desta forma, vamos ver alguns fatores essenciais na prática do jejum segundo a Escritura Sagrada.

1 – CAUSAS PARA JEJUAR:

– Medo: Depois disto, os filhos de Moabe e os filhos de Amom, com alguns dos meunitas, vieram para fazer guerra contra Josafá. Então vieram alguns que avisaram Josafá, dizendo: — Uma grande multidão está vindo contra Judá, do outro lado do mar Morto, da Síria. Eis que eles já estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi.  Então Josafá teve medo e decidiu buscar o Senhor; e proclamou um jejum em todo o Judá (2 Crônicas 20.1-3). Josafá usou o medo em seu favor ao jejuar, mostrando para si mesmo e seu povo a sua limitação diante do poder ilimitado do nosso Deus.

– Proteção (Esdras 8.21-23): Então ali, junto ao rio Aava, proclamei um jejum, para nos humilharmos diante do nosso Deus, para lhe pedirmos uma boa viagem para nós, para os nossos filhos e para tudo o que era nosso. Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porque já lhe havíamos dito: “A mão do nosso Deus está sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas a sua força e a sua ira são contra todos os que o abandonam.” Assim nós jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e ele nos atendeu (Esdras 8.21-23). Esdras reconhece a fragilidade humana em meio ao perigo, ao mesmo tempo em que reconhece que é vão todo o esforço humano sem a proteção de Deus.

– Calamidade: E eles me responderam: — Os restantes, os que sobreviveram ao exílio e se encontram lá na província, estão em grande miséria e humilhação. As muralhas de Jerusalém continuam em ruínas, e os seus portões foram destruídos pelo fogo.  Quando ouvi estas palavras, eu me sentei, chorei e lamentei por alguns dias. Fiquei jejuando e orando diante do Deus dos céus (Neemias 1.3-4). Um coração amoroso diante da desgraça humana é o que todo povo de Deus precisa ter; a fim de jejuar buscando as respostas de Deus do que devemos fazer em favor dos outros, que estão vivendo em total miséria, seja por causa da violência do homem ou pelas catástrofes que estamos sujeitos. Assim o Senhor usou Neemias poderosamente.

– Justiça Social e Boas Obras: Seria este o jejum que escolhi: que num só dia a pessoa se humilhe, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? É isso o que vocês chamam de jejum e dia aceitável ao Senhor?  Será que não é este o jejum que escolhi: que vocês quebrem as correntes da injustiça, desfaçam as ataduras da servidão, deixem livres os oprimidos e acabem com todo tipo de servidão?  Será que não é também que vocês repartam o seu pão com os famintos, recolham em casa os pobres desabrigados, vistam os que encontrarem nus e não voltem as costas ao seu semelhante?”  “Então a luz de vocês romperá como a luz do alvorecer, e a sua cura brotará sem demora; a justiça irá adiante de vocês, e a glória do Senhor será a sua retaguarda.  Então vocês pedirão ajuda, e o Senhor responderá; gritarão por socorro, e ele dirá: ‘Eis-me aqui.’” “Se tirarem do meio de vocês todo tipo de servidão, o dedo que ameaça e a linguagem ofensiva;  se abrirem o seu coração aos famintos e socorrerem os aflitos, então a luz de vocês nascerá nas trevas, e a escuridão em que vocês se encontram será como a luz do meio-dia.  O Senhor os guiará continuamente, lhes dará de comer até em lugares áridos e fortalecerá os seus ossos. Vocês serão como um jardim regado e como um manancial cujas águas nunca secam (Isaías 58.5-11). De nada valem exercícios espirituais sem um coração amoroso e atitudes de bondade para com as pessoas. Porque isto é o que agrada a Deus.

– Arrependimento: Os ninivitas creram em Deus. Proclamaram um jejum e vestiram roupa feita de pano de saco, desde o maior até o menor.  Quando esta notícia chegou ao rei de Nínive, ele se levantou do seu trono, tirou os trajes reais, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinzas. E mandou proclamar e divulgar em Nínive o seguinte: — Por mandado do rei e dos seus nobres, ninguém — nem mesmo os animais, bois e ovelhas — pode comer coisa alguma; não lhes deem pasto, nem deixem que bebam água. Todos devem ser cobertos de pano de saco, tanto as pessoas como os animais. Então clamarão fortemente a Deus e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos (Jonas 3.5-8). Somente Deus perdoa pecados, por isso a prática do jejum num momento de arrependimento quebra a nossa arrogância e nos conduz a realidade da nossa corrupção diante de um Deus que por pura graça nos ama e nos perdoa, mesmo que não mereçamos.

– Força Espiritual: Então os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: — Por que motivo nós não pudemos expulsá-lo?  Jesus respondeu: — Por causa da pequenez da fé que vocês têm. Pois em verdade lhes digo que, se tiverem fé como um grão de mostarda, dirão a este monte: “Mude-se daqui para lá”, e ele se mudará. Nada lhes será impossível.  [Mas esse tipo de demônio só pode ser expulso por meio de oração e jejum.] (Mateus 17.19-21). Os inimigos de Deus são mais poderosos do que nós; porém nada são diante do Senhor Jesus. Por isso toda nossa força vem dele. E o jejum nos ajuda a nos aproximarmos sempre daquele que nos protege e nos usa poderosamente.

– Pela Família: Mas Davi notou que os seus servos cochichavam uns com os outros e entendeu que a criança havia morrido. Então perguntou: — A criança morreu? Eles responderam: — Morreu.  Então Davi se levantou do chão, lavou-se, ungiu-se, trocou de roupa, entrou na Casa do Senhor e adorou. Depois, voltou para o palácio e pediu comida; puseram-na diante dele, e ele comeu. O seus servos lhe disseram: — Que é isto que o senhor fez? Pela criança viva o senhor jejuou e chorou, mas, depois que ela morreu, se levantou e se pôs a comer!  Davi respondeu: — Enquanto a criança ainda estava viva, jejuei e chorei, porque dizia: “Talvez o Senhor se compadeça de mim, e a criança continuará viva.” Mas agora que ela morreu, por que jejuar? Poderei eu trazê-la de volta? Eu irei até ela, mas ela não voltará para mim (2 Samuel 12.19-23). Davi não conseguiu a benção que buscava quanto à cura de seu filho, porém é inegável o fato de que o jejum lhe trouxe uma grande força espiritual, que ele experimentou após passar pela dor de perder um filho.

– Decisões importantes: Então Mordecai pediu que respondessem a Ester: “Não pense que, por estar no palácio real, você será a única, entre todos os judeus, que conseguirá escapar. Porque, se você ficar calada agora, de outro lugar virá socorro e livramento para os judeus, mas você e a casa de seu pai perecerão. Mas quem sabe se não foi para uma conjuntura como esta que você foi elevada à condição de rainha?”  Então Ester pediu que levassem a Mordecai a seguinte resposta: “Vá e reúna todos os judeus que estiverem em Susã, e jejuem por mim. Não comam nem bebam nada durante três dias, nem de noite nem de dia. Eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei falar com o rei, ainda que seja contra a lei; se eu tiver de morrer, morrerei” (Ester 4.13-16). Para ter sábias decisões, nada é melhor do que em jejum buscar o Deus de toda sabedoria.

                – Intimidade com Deus: Vieram, depois, os discípulos de João e perguntaram a Jesus: — Por que nós e os fariseus jejuamos muitas vezes, mas os seus discípulos não jejuam?  Jesus respondeu: — Como podem os convidados para o casamento estar tristes enquanto o noivo está com eles? No entanto, virão dias em que o noivo lhes será tirado, e então eles vão jejuar (Mateus 9.14-15). Se uma das coisas que buscamos no jejum é a intimidade com o Senhor, realmente os discípulos que viram o Senhor Jesus em carne e osso e caminhavam com Ele, já tinham a plenitude da intimidade com o Salvador, devido a uma proximidade extrema. Mas após a ascensão do Senhor Jesus ao céu, o jejum se tornou novamente necessário na busca de intimidade com Deus.

2 – COMO JEJUAR:

                Não adianta querer jejuar enquanto passeia, assiste ou joga futebol, vê televisão, namora etc. Porque o jejum é um momento de devoção exclusiva a Deus:

– Com oração. Porque existe oração sem jejum, mas não existe jejum sem oração.

– Em Adoração. Que Deus seja exaltado, enquanto nós nos humilhamos.

– Ouvindo a Voz de Deus. A Leitura da Palavra e meditação nela é essencial.

– Com Atos de Bondade. Porque é necessário colocarmos em prática tudo que aprendemos do Senhor. Pois do contrário o jejum seria por pura arrogância espiritual.

                3 – O CRESCIMENTO ESPIRITUAL DO JEJUM:

a.     Lutar contra a hipocrisia, a falsidade (Mateus 6.16): “Quando vocês jejuarem, não fiquem com uma aparência triste, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando”.

b.     Lutar contra uma espiritualidade de aparência e a vanglória (Mateus 6.16-17). É se livrar do louvor a si mesmo: “... porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa.  Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto...”

c.     Crescer em total intimidade com Deus e viver para glória do Pai Eterno (Mateus 6.18): “... a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa”.

                Jesus alerta para o perigo das falsas recompensas, que nos encaminham para um tipo de mal que vai além de apenas tornar o jejum inútil; pois eles são pura idolatria: “... porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa”. É fazer de si mesmo o seu deus, enquanto espera o louvor dos homens; o Senhor Jesus diz que os buscam aparecer já receberam a recompensa, que é o reconhecimento humano, o que significa que nada vão receber do Pai, pois na verdade não é Ele que buscam. As orações e as esmolas se referem a coisas semelhantes que devem ser feitas sem chamar a atenção das pessoas para as suas atitudes; mas em secreto esperar com a certeza que é o SENHOR que nos honrará sempre: “Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto, a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa” (Mateus 6.17-18).

 

Marcio Costa Daflon

 

 

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